MPF vai investigar conduta de Deltan DallagnoL

A Corregedoria Nacional do Ministério Público (CNMP) vai apurar a venda de palestras pelo procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, em atendimento à representação feita pelos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) no começo desta semana. O corregedor nacional Cláudio Henrique Portela do Rego deve estabelecer um prazo de dez dias para Dallagnol se manifestar.

Caso o CNMP, considere irregular a conduta de Dallagnol, Portela pode abrir uma sindicância ou um processo administrativo disciplinar, e levar o caso a julgamento. Dallagnol recebeu R$ 219 mil em 2016 em 12 palestras feitas para falar da corrupção e da história da Operação Lava Jato.

Dallagnol afirma ter doado todo o dinheiro para o Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, especializado no tratamento do câncer. Agora, diz que pretende criar um fundo de combate à corrupção com o dinheiro das palestras.

Sobre a representação na Corregedoria, Dallagnol declarou que este é um procedimento padrão, que deve ser arquivado pela falta de qualquer irregularidade nos eventos que faz. De acordo com o procurador, a atividade docente é autorizada pela Constituição e não conflitam com a atuação no Ministério Público Federal, "sendo algo legal, lícito e privado".

Dallagnol não divulgou o valor recebido para palestrar em evento da consultoria financeira XP Investimentos. O ingresso para o evento da XP, que começou quinta e termina neste sábado (24) em São Paulo, custa R$ 800 e vai reunir nomes como o prefeito de São Paulo, João Doria, e o ex-presidente do Itaú, Roberto Setubal.
                                                       

Polêmica

A polêmica em torno das palestras do coordenador da força-tarefa foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo no fim de semana passado, que mostrou que uma empresa de São Paulo comercializava, por meio de um site especializado, palestras dele por preços entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. Dallagnol pediu que a Motiveação retirasse as informações do site.

A empresa alegou que o site foi retirado do ar por "não haver autorização nem do palestrante nem de sua equipe para divulgação das palestras" e se retratou "por qualquer tipo de prejuízo e/ou situação que tenha vindo a causar ao Sr. Deltan Dallagnol e aproveitamos para deixar nosso apoio ao trabalho muito bem feito que o mesmo vem ajudando a tornar realidade e história em nosso país”.

Na representação, os deputados pediram ao procurador que apresentasse a lista de palestras realizadas desde 2014, os valores recebidos e a declaração desses à Receita Federal. Também requisitaram que ele dê à Corregedoria as contas bancárias onde foram depositados os valores, os repasses ao fundo de combate a corrupção e custas com servidores, além dos dados de pagamento de diárias nos dias das palestras. Na representação, eles também pedem o contrato com a Motiveação.